segunda-feira, 8 de julho de 2013

Minha história com a literatura começou cedo. Minha irmã, dois anos mais velha que eu tinha como atividade da escola ler o livro Senhora, de José de Alencar. Assim que ela terminou, sem pensar duas vezes, devorei o livro, que até hoje guardo um carinho especial por ter me proporcionado enxergar um mundo que desconhecia. Depois, quando chegou a minha vez na escola de ler A Senhora, fiquei me achando, com o ego do tamanho da escola por já tê lo lido. Desde então lia todos os livros que eram passados, e não conseguia entender como a maioria da sala lutava por um resumo só para não ler os livros. Fui de A Carne até o Auto da Barca do Inferno.
Mas meu grande dia, foi na sétima série, quando uma professora, que infelizmente não lembro o nome, passou para nós, na sala de vídeo o filme A Sociedade dos Poetas Mortos. Fiquei vidrada, queria fazer parte do fime e gritar: Oh Capitan, My Capitan!
Bateu o sinal e todos sairam correndo da sala para ir embora, mas, o filme ainda não tinha terminado. A professora percebeu que eu não poderia ir para casa sem ver o final do filme, e, gentilmente se ofereceu para ficar comigo na sala até que o filme terminasse.
Terminou, e desde daquele dia percebi que existia algo chamado imaginação, e que em certos momentos só ela pode nos salvar.
Falar que ama é tão forte quanto falar que odeia. Usem ambas com mais cuidado
Então vamos lá, primeiramente que me perdoem os otimistas de plantão. Tenho sido negativa nos últimos tempos mas quero deixar claro que admiro vocês. 
Sim, tem sido dias difíceis e não me importo nem um pouco com o que pensam de mim, o que me deixa aflita de verdade é a ignorância e a auto suficiência em que a nossa geração foi criada, acreditem em mim, vocês são fortes, mas não é pecado enfraquecer às vezes, porque têm dias que não dá. Não dá pra sorrir, não dá pra fingir, não dá pra fazer nada.
Por favor, entendam, antes de serem jornalistas, advogados, médicos, vendedores, fotógrafos, análistas ou sei lá mais o que, vocês são pessoas, e, me parece que estão esquecendo disso.
Não pense que você se vira sozinho, sem verdadeiros amigos, a vida fica pesada.
E que me perdoem por eu não ter tido nada de positivo à oferecer, nem uma risada, e nenhum bom conselho, é que ando um pouco ferida. Tem palavras que machucam, não por serem duras, mas por eu não entendê las.
Prefiro o caos. Idolatro a dúvida. Admiro a incerteza. Nesse mundo doente, ser normal é ser vazio e ser vazio é não ser nada. Então, aceito a condição de louca. Ser louca é ser livre.
E a pergunta que eu me faço mesmo não devendo fazê la é: quantos dias serão necessários para a cura? 
É em vão, não há resposta.
É um mal que deram um nome, mas não tem explicação. 
É da mente, da alma e do coração. Dói. 
Mas me disseram uma vez e eu acreditei : ninguém morre de angústia, ninguém.
E quantas vezes eu perdi a razão. Inúmeras. Não sei se isso faz de mim mais descontrolada ou mais autentica. Só sei que todas às vezes que perdi, foi porque não sabia o que fazer. Essa é minha defesa e meu pedido de desculpa: eu não sabia o que fazer.

quarta-feira, 20 de março de 2013