domingo, 13 de outubro de 2013

A todo momento somos colocados diante de situações que nos dão a oportunidade de revelarmos o qual somos bons e fortes. A maioria desses momentos surgem que maneira fácil.
É quando podemos usar alguém para satisfazer uma carência particular, é quando podemos mostrar nosso trabalho de forma indigna passando alguém para trás.
É quando conscientemente sabemos que para estarmos bem, estamos deixando alguém mal.
E isso é tão fácil de se fazer, é tão simples, é morder a maçã.
Talvez essas pessoas se deem melhor na vida. Talvez aos olhos alheios sejam mais felizes, conquistem mais coisas. Eu realmente não sei.
Eu sei que o caminho de viver olhando menos pro umbigo é mais estreito, poucos passam.
Que sejam poucos, quase ninguém. Mas são esses que dormem em paz.

sábado, 12 de outubro de 2013

Deveríamos morrer um dia por mês. 24 horas de túmulo. Tenho certeza que dessa forma viveríamos muito mais, e muito melhor.
É preciso que eu aceite a turbulência que faz de mim o que sou. Preciso aceitar que não há obrigação fora a minha de ser compreendida.
Ser extremo e admitir é como se jogar do precipício mais alto do mundo. É saber que não pode mudar e principalmente saber, que a vida será mais difícil.
É ter consciência de que poucas poucas pessoas nascem assim e por tanto pode-se passar a vida inteira sem encontrar ninguém que entenda a destruição. A autodestruição.
Os gritos são mais intensos e o silêncio mais profundo. A alma é uma gaveta sem fundo.
Não há vergonha alguma em se expor e não há vergonha alguma em se isolar. Simplesmente não há vergonha alguma. Há certa autenticidade, vista como qualidade, mas pesada como um piano para quem a tem.
Há o mundo inteiro e suas pessoas magníficas e há a solidão.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Eu estou deitada. Ou andando. Ou no trem. Ou no trabalho. Ou na faculdade. Não importa.
Importa que o mundo está colorido e de repente uma facada me atinge e não enxergo mais nada. Não sou eu que sangro, é o mundo.
Esses momentos, que às vezes duram o dia inteiro, ou a semana inteira, me provam que o sorriso, as fotos, as lágrimas, as risadas não valem nada, porque ninguém sabe o inferno que o outro pode carregar no peito, na cabeça e no corpo.
Não são altos e baixos. São momentos de realidade, e a realidade é preta e branca.  O aperto no peito é por existir.
A gente fingia que era mundo. Mas na verdade vivíamos num circo. Chamávamos de mundo só pra camuflar as ilusões. Trabalhávamos e estudávamos só para passar o tempo, porque era tudo tão falso que nos fazia rir.
Eu até tentei ser a equilibrista, atravessando o picadeiro, mas tive que desistir porque sempre despencava. Contra a minha vontade me colocaram como a mulher das facas. Eu ficava presa numa parede enquanto um dos meus inimigos jogavam dezenas de facas em minha direção, ainda não sei como nunca fui atingida. Enquanto isso meus amigos lá nos balabares, se desdobrando para não deixar nada cair.
Minha amiga estava no contorsionismo, todo mundo aplaudia mas ninguém sabia o quanto era doloroso.
Por fim tinha o ilusionista, que fazia a platéia ficar de boca aberta com seus truques, enquanto nós nos bastidores nos questionavamos : como é que ele engana tanta gente? A farça é tão evidente.
A vida é realmente um circo onde o palhaço finge e chora.

sábado, 5 de outubro de 2013

Mas se vocês soubessem como é viver cheia de regras apenas para não morrer, enquanto sua cabeça brinca disso com você.
Se vocês soubessem o quão difícil é para uma pessoa como eu, seguir a linha reta mesmo querendo desviar, abrir um caminho destrutivo deixando mesmo que por engano as coisas mais fáceis.
Se vocês soubessem o quanto é difícil escolher o caminho correto e o quanto é esgotante permanecer nele. .
Se vocês soubessem o que é lutar todos os dias, para depois perceber que a luta não vai terminar tão cedo.
O que eu não daria para largar tudo, e me jogar em qualquer solução mais rápida, mais doente, mais perigosa, mais rápida.
Eu só quero que isso acabe, e sabe, estou cansada e no limite. Eu só quero ouvir um "vai ficar tudo bem" e ter força para acreditar.
Não quero me jogar no que não devo, não quero me destruir.


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Que eu seja perdoada pelos meus escândalos.
Não percebia que feria a mim mesma, não enxergava que cuspia na minha própria cara.
Que eu seja perdoada por nem sempre me apresentar alegre, ou coisa do tipo. Há dias que para isso acontecer, teria que no mínimo tirar minha própria vida.
Mas que eu realmente seja perdoada por mim mesma, pelos valiosos momentos que não reagi, que não respirei, eu estava petrificada pela solidão e pela dor que só existiram para mim. (sobre a depressão)