sexta-feira, 21 de março de 2014

Às vezes não consigo segurar, e me traio.
Cuspo na convicção de ser sempre sincera, e me pego inventando roteiros antes de dormir. 
Cenas dramáticas para justificar uma dor, ou cenas felizes para dormir e tentar sonhar.
A minha fraqueza surge quando desejo que as cenas ruins, tristes e desesperadoras fossem verdadadeiras, assim, eu colocaria as coisas no lugar...coisas que eu não sei arrumar...coisas que não sei por que existem...muito menos por que sinto.
Meus sentimentos teriam justificativa.
Dizem que a depressão é uma doença invisível. Para mim nunca foi. Ela é tão monstruosa que às vezes sinto que posso pegá-la na mão. 
Dizem também que depressão se supera, discordo. Aprende-se a viver e controlá-la, é uma doença crônica que, vezes vai, vezes vem. Não que haja harmonia entre nós, muito pelo contrário, mas a obrigação e a vontade que tenho de viver me força a encontrar um caminho em que possamos andar juntas.
Se estou melhor? Sim, estou. Mas a depressão é traumática, deixa marcas, feridas, dores que eu sei que nunca vão sumir. Não adianta falar que vai passar e vou esquecer, infelizmente eu sei o buraco que surge quando descobrimos o que é sofrimento, o que é bem diferente de sentir tristeza.

Depressão é saber que está errado, mas não saber qual é o erro
Um ano. E eu, de verdade, não sei como cheguei aqui. 
Estou organizando minhas humildes crônicas que escrevi nesse primeiro ano de tratamento contra a depressão. 
Me lembro da necessidade que tinha/tenho de ler algo que falasse a minha língua, que falasse minha loucura, minha dor. 
Algumas vezes postei aqui e entre milhares dizendo que eu estava me expondo demais, tinha um ou outro me agradecendo por inbox por eu ter vomitado minha angústia no computador, porque, de alguma forma, eles precisavam ler algo que mesmo doendo, fosse verdade. Não há espaço para mentiras na depressão, tudo é extremo. Extremamente verdadeiro.
Faz um ano e eu tenho mais de 365 textos porque havia dias com 72 horas, como havia dias só com 2 horas.
Eu quero que alguém leia o que escrevi na hora certa. Momentos de loucura são rápidos, mas, fatais.
Parece que foi ontem e eu ainda estou escrevendo.
Me expor é o menor dos meus defeitos.
Não há nada pior que tentar escrever sobre algo e não conseguir porque ainda dói. Me sinto morta quando isso acontece.
Eu não sei onde vou chegar, não sei se vou chegar.
Mas sei da onde eu saí. Isso basta.
Almas icônicas. Noites acordados. Rock n Roll. Ressacas. Risadas. Beleza. Bares. Amigos. Beijos. Festas. Brilho. Rosas. Esquilos. Roupas. Gritos. Choro. Clamor. Dor. Drogas. Sonhos. Pesadelos. Medo. Corpos. Amor. Feriados. 

Sou uma alma correndo em direção ao céu. 
Brilhar não é errado.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Mesmo sem entender, ela sabia que a imagem dele saindo do banheiro sem camisa, fitando-a com amor jamais seria esquecida. Ficou.