sexta-feira, 3 de abril de 2015

Continue baixando os dedos apontados na sua cara.
Continue sem abaixar a cabeça para quem te ameaça.
Continue, continue mesmo machucada. Você consegue.
Eu consegui.
Faz dois anos que fui diagnosticada com depressão severa. (Depressão Maior).
A gente pensa que com a mesma rapidez que a primeira crise vem, ela se vai. Não, ainda choro quando lembro do insuportável sufoco dos primeiros meses. E choro mais ainda quando o sufoco volta.
A depressão muda tudo. Ela desmascara o mundo e passamos a enxergá-lo em carne viva. O mundo dói demais. Ela pega todos nossos sonhos, expectativas e metas e, sem avisar, joga no lixo e nos obriga a vasculharpara ver se sobrou algo. Nunca sobra, o que ela joga no lixo se deteriora lá e vasculhar é em vão.
Você precisa começar do zero mas não tem forças para isso.
A primeira atividade que fiz foi a de aceitar ser uma pessoa doente. A maioria foge do "pessoa doente". Mas em certos casos, como o meu, ou aceita ou morre.
Estou escrevendo isso para expelir a tristeza que me veio hoje, de não conseguir lembrar da minha vida sem depressão e chorar todas às vezes que lembro das crises.
E pra quem acha estranho contar os anos depois de ser diagnosticado, não sou eu quem conta. É a doença.
Sorrir entre lágrimas.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

De criança eu já era assim.
Mas tinha pureza, as coisas era claras, suaves, perfeitas, sensíveis.
Hoje em dia quando sento no chuveiro, não por cansaço, só porque às vezes a alma pesa.
Qual foi o dia que deu errado?
Qual o dia que eu declarei guerra a mim?
Eu não me lembro, não me lembro e não consigo entender.
Vivo carregando o que todos carregam, dores, amores, desilusões, enfim. Mas porque parece ser mais pesado aqui?
Ah, Deus me perdoe pelos pecados que ainda nem cometi, me perdoe por ter me perdido tanto dentro de mim, me perdoe por me sentir não amada quando sei que você me ama. Só me perdoe e me ajude a sair do lugar que me coloquei. Eu tenho me esforçado tanto, o Senhor sabe...

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Faz 2 horas que tomei meus remédios para dormir e confesso que meus olhos já estão pesados.
Mas não quero me deitar, quero esperar cada um da minha casa dormir e ficar, sozinha, na sala para fazer absolutamente nada. Olhar para a parede ou no máximo a janela.

Em certos momentos não preciso de muito para ser livre. 
Me encarar no silêncio e perceber o quão isso é necessário me tira da zona de conforto e da posição de fugitiva da realidade.

Mas agora que sou livre, o que eu faço com a liberdade, aqui, no sofá e olhando para a parede?

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Eu não gosto das sextas feiras. Existiram dias que eu gostava. Hoje em dia elas servem para deixar num estado de solidão profunda. Talvez um dia isso mude, e eu passe a odiar as segundas feiras, como todos.
Há muito tempo não ficava sozinha em casa, hoje, aqui na varanda, eu sentei para esperar o sono, que sempre me vem atrasado e coloquei uma música para tentar mudar um pouco o cenário. Mudou, está chovendo e as únicas luzes que brilham são as do Natal. Que ideia estúpida, sentar na varanda a noite, com chuva e em época de Natal. Enfim, agora já foi.
Mas ainda sobre o dia, me ocorreu algo diferente, conversei com um dos meus melhores amigos, aqueles que mesmo depois de meses, continuam o melhor amigo.
Nós discutimos sobre ignorar a opiniões dos outros, e eu enchi a boca para dizer que não me importo. De fato, não estou nem um pouco preocupada com o que conhecidos falam, pensam de mim, ex colegas da faculdade, pessoas que só passaram por mim, não me importo. Eles não sabem nada sobre mim.
Mas caí na questão do que será que as pessoas próximas pensam, julgam, e sim, é difícil lidar com uma possível decepção vinda de quem você ama, de quem faz tudo por você. Percebi que pequenos segredos guardados precisam ser mostrados e encarar as dores que isso pode me causar.

Não é pelos remédios, pelos cigarros, pelas frustrações.
É porque hoje eu entendi, que o julgo só serve de mim para mim. Ninguém pode me julgar, apontar o dedo, gritar comigo, porque tudo que eu fiz e faço, é porque quero, até mesmo quando me questiono como conseguir chegar tão baixo.

Hoje foi um dia importante, me declarei culpada e agora posso me perdoar. Somente eu, mais ninguém.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Compartilhei minha vida, minha mente e meu corpo com você.
É verdade, eu era louca, sua amante dos pés à cabeça.
E desse jeito as coisas terminaram.

Fiquei sabendo que você encontrou várias garotas, algumas do passado.
Chegou aos meus ouvidos que você está famoso, que alcançou.

Sei que as coisas demoraram muito mais para acabar para mim, eu fiquei chapada pela cena de ser deixada. E minhas lágrimas nunca secam. Nunca.
Eu era só uma menina selvagem, que até hoje não me perdoo por todas as maquiagens que estraguei por tua causa.
Eu era pequena demais para entender que o amor não é igual para todos, e pensei que chorando teria o que conseguisse, como toda criança faz.
Mas ao mesmo tempo eu era a estrela do palco, tinha muito rock and roll nos meus ouvidos tampando o barulhos dos tiros que você me acertava, e sim, você gostava disso, tinha prazer quando eu gritava para terminar logo com isso, era sádico.

Queria dizer que há perdão para tudo.
Que há perdão para meus sonhos infantis, para minhas ressacas de rainha, para minha luta.
Há perdão para o meu mundo louco, que também me disseram que você odiava.
Não tem problema, eu vivia por diversão, minha vida era diversão, até minha melancolia sorria quando você fingia estar gostando.

Algumas pessoas dizem que tenho um rosto delicado, mas meu coração é bem deprimente.

Você saiu de tudo tão são, e eu tão louca que às vezes penso que foi tudo uma farsa minha e tua. Você era o louco, e eu estava completamente sã, porque eu sentia, eu sentia, eu sentia. Você não.

Olhe para mim agora. Meu rímel está no lugar, e meu blush me deixa corada.
Eu sou uma garota triste que vive bons momentos.

Te desejo o melhor. Porque é isso que falamos para quem não conhecemos.
Te desejo o melhor. Fique bem. Sucesso.

bj.