domingo, 27 de maio de 2012

Buckley


Eu estava desacostumada, esquecida.
Não lembrava mais como era escutar Lilac Wine e entender direito o que o Jeff queria dizer
com "I feel unready for my love".
Me tranquliza saber que se estivesse vivo, nem ele saberia explicar.
E nem que vivesse mil anos, poderia cantar o contrário.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

25/05

E tem aquelas noites que a gente não quer ver a cara do mundo.
E tem aqueles dias que o mundo não quer ver a nossa.
É um relacionamento difícil. Mas no final, o mundo me ama e eu amo ele.

domingo, 20 de maio de 2012

Augusta


Estão perdidos.
Eles sobem e descem aquela Augusta todo final de semana.
Encontram sempre os mesmos olhares vazios, vestidos das mesmas roupas, cantando as mesmas músicas.
Vão descendo a rua ao som da Florence que na primeira vez é ótima, mas depois só com muita bebida pra aguentar aquela música grudenta.
Os picos mudam, uns fecham, outros abrem e alguns são interditados.
Mas eles continuam lá. Numa mistura deliciosamente bizarra. Numa falsa liberdade que mente descaradamente ao dizer que eles podem ser o que quiserem.
E quando a noite cai os bares ficam cheios deles, que juntos, buscam sem saber ao certo pelo que.

Mas afirmo: Não existe nada mais injusto que uma manhã na Augusta. É como se o dia clareasse e mostrasse tudo o que ninguém quer ver, o sol ocupa o lugar que na noite foi deles e então todo mundo vai para casa.
De repente ninguém quer estar lá.
É um lugar que não foi feito pra ninguém, mas é onde todo mundo está.



sexta-feira, 18 de maio de 2012

4 anos

Eu era uns 2, 3 anos mais velha que ele, algo do tipo.
Quando o conheci foi engraçado, nós costumávamos nos matar em shows de rock, numa dessas, no meio de uma bagunça generalizada ele caiu nos meus pés e quando se levantou aqueles olhos verdes entraram nos meus. Me apaixonei.
Os dias passaram e pela primeira vez na vida, não consegui esquecer alguém, fui atrás, descobri o nome e disse o meu.
Descobri a sensação de ir dormir pensando em alguém, sonhar e acordar pensando também. Eu estava perdida, enfim.
Me entreguei às cafonices que sempre julguei, me permiti sentir.
Descobri a merda que é a saudade e o ciúme. Descobri o quão bom era ficar sentada no chão de uma estação sem nada pra fazer, sem nada pra pensar. Aprendi que 3 horas sozinha dentro de um ônibus se tornavam 50, e 12 horas deitada na cama com ele se tornavam 5 minutos.
Eu tive meu primeiro amor.
E a gente sentava na frente da tevê, e nunca assistíamos nada, a não ser uma vez que vimos Alvin e os esquilos porque achamos as vozes muito engraçadas. Ficávamos andando na rua, sempre sem destino, íamos parando em vários lugares, falando com várias pessoas, rindo e sei lá mais o que.
Eu não precisava de nada, só de uma ligação antes de dormir. Pra mim estava bom.
Nós não sabíamos o que estávamos fazendo. Mas fizemos tudo.
Como todo primeiro amor, uma hora a vida tomou seu caminho, a minha um e a dele outro. Fomos embora.

Quatro anos depois, nos vimos e estávamos tão longe e tão perdidos, que pedi pra Deus nos ajudar a voltar pra um lugar que ao menos soubessem nosso nome.
Tanta coisa mudou, tanta coisa passou e às vezes eu ainda escuto aquelas músicas que eu odiava só pra fingir que as coisas ainda não passaram.

 Veja bem, não estou falando dele. Estou falando de mim. Eu sinto falta de quem eu era.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fracassei

Teve um momento que eu me lembro bem, eu decidi brincar de crescer. Larguei os amores, esqueci as paixões e fui ser outra pessoa. Me apeguei ao Almodóvar, ao García Márquez, escutei a Billie Holiday, porque eles sim sabem das coisas.-- Fracassei, óbvio.

domingo, 13 de maio de 2012

Sonhei.

Sonhei. E agora estou tentando lembrar o momento que você tomou a liberdade de me visitar quando não posso controlar.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Liberdade

Tem dia que eu acordo e vejo poesia em tudo. Até mesmo quando o facebook diz nas minhas postagens que estou perto da Liberdade. Eu sei, é o bairro de SP. Mas soa bonito.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Por mim

E de repente vem aquela vontade ridícula de chorar. E de escrever. E de sei lá mais o que. Nunca por um motivo específico, nunca por alguém, nunca por você, mas sempre por mim. Mas passa, e  com o tempo esses trechos ficam ridículos. Enquanto esse dia nao chega eu fico com o Buckley, Cash, Dallas, Amy...

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desligar

Um dia vou ter que parar. Um dia vou desligar o celular, a televisão, o computador e principalmente, a cabeça. Vou dominar aquele comichão do vício da informação. Eu vou viver sem saber as novidades. Não vou postar fotos, nem ver as de ninguém, não vou saber quem ganhou as eleições, nem quem ta namorando com quem. Vou viver do jeito que ta, do jeito que dá, do jeito que for. Não vou precisar dar atenção a ninguém, porque também não a exigirei. É, mas um dia eu vou ter que parar.